Leishmaniose visceral canina autóctone em área indene no Centro Oeste de Minas Gerais, Brasil

Viviane Valadares Lamounier, Rafael Gonçalves Teixeira Neto, Valeriana Valadares Lopes, José Ronaldo Barbosa, Gilberto Fontes

Resumo


Objetivou-se relatar o primeiro caso autóctone de leishmaniose visceral canina no município de Cláudio-MG, Brasil. Com base no exame clínico foram constatados sinais sugestivos da doença em um cão macho, sem raça definida de aproximadamente sete anos. O animal foi submetido à colheita de sangue para realização dos testes imunológicos de imunocromatografia rápida (DPP®) e ensaio imunoenzimático (ELISA), obtendo-se resultados positivos para leishmaniose canina em ambos os testes. Após autorização do tutor foi obtida amostra de medula óssea do animal e posteriormente realizou-se a eutanásia e o exame necroscópico obtendo-se fragmentos de baço, linfonodos e pele. Amostras de medula óssea e tecidos foram utilizadas para realização dos exames parasitológicos, os quais demonstraram a presença do agente etiológico na forma amastigota. O fragmento de baço obtido na necropsia foi utilizado para identificação da espécie de Leishmania por meio da reação em cadeia da polimerase (PCR). Foi demostrado pela PCR-RFLP a presença de Leishmania infantum, confirmando a infecção do animal pela espécie responsável pelo desenvolvimento da forma visceral da doença. Conclui-se com este resultado que a implantação de estratégias de prevenção e controle epidemiológico da leishmaniose visceral canina no município é importante, a fim de evitar a propagação da doença entre a população canina, bem como a transmissão a população humana.

Palavras-chave


Leishmania infantum chagasi; diagnóstico imunológico; Calazar

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DOI: https://doi.org/10.26605/medvet-n3-1779

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