ORGANIZAÇÕES ESCOLARES E PROCESSOS DE PROFISSIONALIZAÇÃO

Jamerson Kemps Moura

Resumo


Desenvolvemos esse trabalho concebendo a escola como uma figuração, um elemento intermediário que recebe a influência de contextos de interação macro e microssociais. Assim, apresentaremos neste artigo informações e reflexões que embasam a sociologia das profissões, procurando compreender como suas particularidades podem contribuir para o entendimento das dinâmicas de ações desempenhadas pelos profissionais que trabalham nas organizações do campo educacional. A análise resulta de nossa tese de doutorado e se debruça sobre os processos sociais pelos quais passaram os campos educacionais do Brasil e Portugal, países que implementaram políticas de gestão democrática da educação após vivenciarem regimes autoritários, mas que cederam espaço a outras políticas de gestão escolar. Com a sociologia histórica, processual e figuracional de Norbert Elias entendemos que a mudança deixa de ser necessariamente algo superior e coercitivo, devendo ser vista como inerente às relações sociais. A partir da pesquisa concluímos que a convivência de muitos dos atores sociais das organizações escolares com o período ditatorial fê-los desenvolver práticas autoritárias em suas relações socioprofissionais.


Palavras-chave


Sociologia das Organizações e da Educação. Processos Sociais. Figurações Escolares. Profissionalização Docente.

Texto completo:

PDF

Referências


ABBOTT, Andrew. The system of professions: an essay on the division of expert labor. Chicago: Chicago University Press, 1988, p. 1-114.

AGUIAR, Márcia A. Política educacional e planejamento participativo: a experiência dos fóruns itinerantes de educação em Pernambuco. Revista Educação (Porto Alegre, impresso), v. 37, n. 2, p. 201-209, maio-ago, 2014.

BARROSO, J. A regulação das políticas públicas de educação. Espaços, dinâmicas e atores. Coimbra, 2006.

CARR-SAUNDERS, A. e WILSON, P. In: SELIGMAN, Erwin (ed) Encyclopedia of the social sciences, vol. 11, p. 476-480, New York: MacMillan, 1937.

DUBAR, Claude e TRIPIER, Pierre. Sociologie des professions. Paris: Armand Colin, 1998.

ELIAS, Norbert. A sociedade dos indivíduos. Rio de Janeiro: Zahar, 1994.

_____. Estudos sobre a gênese da profissão naval: Cavalheiros e Tarpaulins. Maná 7(1). pp. 89 – 116. 2001

FREIDSON, Eliot. O renascimento do profissionalismo. São Paulo: EDUSP, 1998.

GOMES, Rui. Culturas de escola e identidades dos professores. Lisboa: Educa, 1993.

LARSON, Magali: The Rise of Professionalism: A sociological analysis. California. University of California Press, 1979.

LIMA, LICÍNIO. Agrupamento de escolas como novo escalão da administração desconcentrada. de Revista Portuguesa Educação, vol. 17, núm. 2, 2004, pp. 7-47.

PARO, Vitor H. Diretor escolar: educador ou gerente? São Paulo: Cortez, 2015.

PARSONS, Talcott. Professions in SHILLS, David (Ed). International encyclopedia of the social sciences. New York: MacMillan, 1972, vol. 11/12, p. 536-546.

WEBER, Max. Ensaios de sociologia. Rio de Janeiro. Ed. LTC, 2002.

WEBER, Silke. Políticas do ensino fundamental em revista: um debate pela democracia. In: A.O. COSTA (org.). Uma história para contar: a pesquisa na Fundação Carlos Chagas. São Paulo: Anablume, p. 57-90, 2004.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais 2018 Jamerson Kemps Moura

Licença Creative Commons