Uso de sacarose na desintoxicação de plantas de cafeeiro submetidas à deriva de glyphosate

Levy Tadin Sardinha, Caroline Maira Miranda Machado, Leandro Alves Macedo, Brendo de Oliveira Ferreira, André Cabral França, Edson Aparecido dos Santos, Fausto Henrique Vieira Araújo, Eudes Neiva Júnior

Resumo


O controle de plantas daninhas é de grande importância na cafeicultura, pois competem com o cafeeiro por luz, água e nutrientes. O controle químico tem se destacado com o uso do glyphosate, com ação pós-emergente e não seletivo ao cafeeiro. Porém, quando aplicado nas lavouras de café, pode afetar negativamente essas lavouras por efeito da deriva. O objetivo deste estudo foi avaliar o potencial da sacarose na desintoxicação de plantas jovens de cafeeiro atingidas por glyphosate. O experimento foi conduzido em casa de vegetação, no setor de Cafeicultura do Departamento de Agronomia da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). O delineamento experimental utilizado foi em blocos casualizados em esquema fatorial 3 x 4, com três cultivares de café arábica (Catuaí IAC 144, Icatu e Catiguá MG2) e quatro subdoses de sacarose. As plantas foram submetidas a 720 g ha-1 de glyphosate, simulando uma deriva acidental, com tratamentos de solução de sacarose nas concentrações de 0%, 1%, 2% e 4%. Os parâmetros avaliados foram intoxicação, crescimento e características fisiológicas. As plantas apresentaram clorose em folhas novas, nas regiões meristemáticas das plantas, sendo a cultivar Icatu a mais afetada. Nos parâmetros fisiológicos, observou-se que em doses iguais ou superiores a 2%, a sacarose foi eficiente no processo de reversão de intoxicação das cultivares utilizadas. Nos parâmetros de crescimento, a sacarose contribuiu para o aumento de biomassa das plantas do cafeeiro, com o aumento das concentrações, com efeito acentuado nas cultivares Catiguá MG2 e Catuaí IAC 144.


Palavras-chave


Cultivars; Coffea arabica L.; Growth

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DOI: https://doi.org/10.24221/jeap.4.4.2019.2740.273-279

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