Avaliação do sensoriamento remoto termal para monitoramento de aterros sanitários

Jadson Freire Silva, Rutt Keles Alexandre da Silva, Yenê Medeiros Paz, Josimar Vieira dos Reis, Henrique dos Santos Ferreira, Ana Lúcia Bezerra Candeias

Resumo


A presença cotidiana do lixo na sociedade faz necessário a reflexão dos ambientes de deposição do mesmo; que pode ser não controlado, configurados como lixões e causando diversas adversidades para a população em entorno; ou controlado, este passivo do monitoramento de suas propriedades com propósito de reduzir os efeitos que podem causar ao ambiente. Nessa perspectiva, o sensoriamento remoto contribui positivamente no que tange ao monitoramento dessas áreas; as análises podem manter-se apenas na evolução de tamanho da área ou de outros parâmetros sensíveis. Compreendendo a importância da temperatura e suas interações com os resíduos sólidos, este trabalho tem como objetivo analisar o sensoriamento remoto termal para monitoramento de aterros. Utilizou-se imagens Landsat 5 e 8 para a região de Muribeca-PE (2006, 2016) e o Lixão da Estrutural-DF (2005, 2016) aplicando fórmulas de radiância, reflectância, SAVI, IAF, emissividade e de temperatura da superfície. Os resultados mostraram variação na temperatura do Aterro da Muribeca (2006) de 6,1 graus do ponto mais quente até o ponto de borda; a nova área do aterro da Muribeca em 2016, variou entre de 7,8; por sua vez, a área antiga manteve-se com 3.1 graus. O Lixão da Estrutural mostrou variação de 5,2 e 8 graus nos anos de 2005 e 2016, respectivamente. O sensoriamento remoto termal mostra-se de grande relevância no suporte das análises em aterros controlados e não controlados, todavia, diversos percalços como a periodicidade das imagens e condições climáticas ressaltam a junção dos dados remotos com os de campo para pesquisas.

Palavras-chave


Geoprocessamento, Lixões

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DOI: https://doi.org/10.24221/jeap.3.1.2018.1536.37-48

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