Variabilidade espacial da sazonalidade da chuva no semiárido brasileiro

Wagner Martins dos Santos, Rodolfo Marcondes Silva Souza, Eduardo Soares de Souza, André Quintão de Almeida, Antonio Celso Dantas Antonino

Resumo


A chuva é um dos principais reguladores dos processos biogeoquímicos de uma região e o entendimento da sua variabilidade espacial e da sua sazonalidade ao longo ano, é fundamental para o gerenciamento dos recursos hídricos e planejamento agrícola do Semiárido brasileiro. Foi avaliada a variabilidade sazonal da chuva no Semiárido brasileiro sob três condições: i) a média mensal das séries temporais, ii) ano considerado mais chuvoso (2009) e o ano considerado mais seco (2012). Informações diárias de chuva foram obtidos da base de dados da Agência Nacional de Águas (ANA) e a partir deles, foram calculadas os valores totais precipitados nos meses e no ano, a entropia relativa (Dk), o índice de sazonalidade (Sk), o tempo característico da chuva (Ck) e a duração da estação chuvosa (Zk). Essas variáveis foram espacializadas para toda a região semiárida de modo à possibilitar a interpretação da variabilidade espacial a partir de técnicas de geoestatística. A magnitude do coeficiente de variação das variáveis foram semelhantes entre a média das séries temporais, o ano mais chuvoso e o ano mais seco, exceto para o Ck e a Zk no ano mais seco. O modelo de semivariograma esférico foi quem melhor representou a variabilidade espacial da maioria das variáveis estudadas. Na parte central do semiárido, mesmo no ano mais chuvoso, ocorreram os menores valores anuais de chuva. As medidas estatísticas de sazonalidade e variabilidade interanual da chuva utilizadas neste estudo mostraram um desempenho satisfatório na caracterização do comportamento das chuvas na região semiárida do Brasil.


Palavras-chave


Entropia relativa, duração da estação chuvosa, geoestatística, krigagem, hidroclimatologia

Texto completo:

PDF (PORTUGUÊS)

Referências


CAMBARDELLA, C. A.; MOORMAN, T. B.; PARKIN, T. B.; KARLEN, D. L.; NOVAK, J. M.; TURCO, R. F.; & KONOPKA, A. E. 1994. Field-Scale Variability of Soil Properties in Central Iowa Soils. Soil science society of America Journal , v. 58, n. 5, p. 1501-1511.

CAVALCANTI, I. F. A. 2012. Large scale and synoptic features associated with extreme precipitation over South America: A review and case studies for the first decade of the 21st century. Atmospheric Research, v. 118, p. 27-40.

DE LIMA MOSCATI.; M. C.; GAN, M. 2007. Rainfall variability in the rainy season of semiarid zone of Northeast Brazil (NEB) and its relation to wind regime. International Journal of Climatology, v. 27, n. 4, p. 493-512.

FENG, X.; PORPORATO, A.; RODRIGUEZ-ITURBE. 2013. Changes in rainfall seasonality in the tropics. Nature Climate Change, v. 3, p. 811-815.

GUEDES, R. V.; SOUSA, S.e S.; SOUSA, F. S. 2010. Use of entropy and clustering analysis for the evaluation of water resources potential availability in the Northeastern Brazil. Ambiente e Agua-An Interdisciplinary Journal of Applied Science, v. 5, n. 2, p. 175-187.

HASTENRATH, S. 2012. Exploring the climate problems of Brazil’s Nordeste: a review. Climatic Change, v. 112, n. 2, p. 243-251.

KAWACHI, TOSHIHIKO; MARUYAMA, TAKEO; SINGH, VIJAY P. 2001. Rainfall entropy for delineation of water resources zones in Japan. Journal of Hydrology, v. 246, n. 1, p. 36-44.

MARENGO, J. A. 2010. Vulnerabilidade, impactos e adaptação à mudança do clima no semi-árido do Brasil. Parcerias estratégicas, Brasília, DF, v. 13, n. 27, p. 149-176.

NYS, E. D.; ENGLE, N., 2014. Living with the semi-arid and proactive drought management in Northeast Brasil: a new perspective. Washington, DC: World Bank Group. Available from: http://www.worldbank.org/pt/country/brazil/brief/brazil-publications-agua-brasil-series-water

OLIVEIRA, M. B. L. et al. Trocas de energia e fluxo de carbono entre a vegetação de caatinga e atmosfera no nordeste brasileiro. Revista Brasileira de Meteorologia, v. 21, p. 378–386, 2006.

RIBEIRO JÚNIOR, P. J.; DIGGLE, P. J. geoR: Analysis of geostatistical data. Disponível em:. Acesso em 16 fev. 2015.

RODRIGUEZ, R.D.G.; SINGH, V.P.; PRUSKI, F.F.; CALEGARIO, A.T. Using entropy theory to improve the definition of homogeneous regions in the semi-arid region of Brazil, Hydrological Sciences Journal, v.7, p.150817094147005, 2015.

R CORE TEAM. R: A Language and Environment for Statistical Computing. Vienna, Austria, 2016. Disponível em: . Acessado em 28 de fevereiro de 2017.

RODY, Y. P.; DE ALMEIDA, A. Q.; RIBEIRO, A.; SEDIYAMA, G. C.; & PEZZOPANE, J. E. M. Delimitação de sítios ambientais homogêneos no Estado do Espírito Santo, com base no relevo, solo e clima. Ciência Rural, v. 40, n. 12, p. 2493-2498, 2010.

SILVA, V.P.R.On climate variability in Northeast of Brazil. Journal of Arid Environments, v. 58, n. 4, p. 575-596, 2004.

SOUZA, R.; FENG, X.; ANTONINO, A.; MONTENEGRO, S.; SOUZA, E.; & PORPORATO, A. Vegetation response to rainfall seasonality and interannual variability in tropical dry forests. Hydrological Processes, v. 30, n. 20, p. 3583-3595, 2016




DOI: https://doi.org/10.24221/jeap.2.4.2017.1466.368-376

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais 2017 Journal of Environmental Analysis and Progress

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - Não comercial - Compartilhar igual 4.0 Internacional.